Eu procuro de todas as maneiras possíveis. Um pouco dessa busca foi feita nesses textos, há muito tempo. Outra parte está sendo feita agora, seja ao relê-los, seja ao escrever os novos. Que se considere e se fie na passagem do tempo, e se dê uma colher de chá para os lugares ingênuos onde a Maria imagina se encontrar, outrora ou ainda.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Dar-se

       _Me dá sua mão?
       Ela segurou carinhosamente a mão dele entre as suas, a apertou junto ao peito, como se agora fosse sua: "agora é minha", e sorriu como criança. Ele se deteve um momento, compreendeu, e, sorrindo, pediu que lhe desse sua bochecha, desferindo nela um beijo calmo e consistente. Erguendo a sobrancelha num sorriso de quem se sabe pedindo mais do que deveria, ela pediu por seu cabelo, acariciando-o. Continuando o jogo, com a mão em sua cintura, ele pediu por esta ao mesmo tempo em que, segurando-a firmemente, puxava a moça que sorria para junto de si.
       E assim, nesse pouco falar, os dois se sabiam, não possuidores um do outro, mas entregues, desapegados de si - e por isso livres.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Laço

Ainda entre os escritos antigos, também este:

Vi um laço no lixo. A cena era bonita e triste, e me remetia muita coisa. Nenhum laço merece o lixo. E vivemos deixando laços de lado, sem fazer a menor questão deles.
Vai ver... Vai ver alguns laços são só pedaços de fita.
E vai ver todos são, mas a gente estreita alguns melhor. E os outros, não é "que vão para o lixo!", mas é que tanto faz onde estejam.

Da raiva

Revisitando antigos escritos, encontrei este:

O problema não é falar sem pensar. Falar sem pensar é bom, é libertador.
O ruim é falar com raiva. Não se deve falar muito, estando com raiva, não só porque fira as pessoas, mas também porque esse não seja um sentimento digno de ser fixado pelas palavras e propagado.

Talvez seja assim, a raiva não é mesmo um sentimento confortável.

Lembrete

Vi num lembrete que escrevi há um tempo:
É bom que você não vire outra pessoa ao entrar num relacionamento, porque se tiver que sair, seu eu-anterior pode estar do outro lado da porta, como você o deixou, e de alguma forma você terá que lidar com aquele estranho.

Na verdade o importante é não se alienar de si mesmo. No outro ou em qualquer coisa. Quando existiu algo no mundo que você sentiu que era responsável por você ser como é, você então projeta uma culpa ou um mérito, e você continua fora de si, em desacordo, correndo sempre o risco de encontrar consigo em qualquer esquina, estranhando você mesmo, que é a única coisa que você tem de fato. Não é bom.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Falta poesia

Hoje, lendo o blog de um distinto rapaz, invejei um tanto quanto saudosista sua habilidade não só com as palavras, mas com o sentir. Com o sentir o quase-imperceptível.

Minha vida anda precisada de poesia. Eu ando precisada de poesia.
Parar, ler, pensar, sentir.

"Mas como?"
- A parte rasa de minha razão se pergunta, argumentando desentendida.
"É uma das épocas mais coloridas da minha vida, essa que estou vivendo!".

Engraçado é que é, mesmo.
E não deixa de precisar de poesia.
Não é que lhe falte graça. Graça ela tem.
Risos, amores, beijos, insanidade e tudo o mais.

Só falta é poesia.
Só falta olhar, até com vista errada
Pra cena certa, na cor certa, no contraste certo.
Falta achar que acerta.
Mesmo enganada.

Ser sublime, ter sal e ser simples,
A Maria não sabe.
Precisa ser calma, firme, e ir direto ao ponto.
Achar que se cabe. E ponto.

Exagerar nas exclamações e experiências, ultrapassar as interrogações e encher a vida de reticências...

Ela precisa voltar a procurar o Sol se pondo manchado no céu laranjado.
Ela precisa parar de correr.
Ela precisa prestar atenção no caminho, e no destino.
Ela precisa ter calma.
Ela precisa medir a saudade.

Engraçado que, na verdade...
Podia até errar na euforia,
Podia até morrer de saudade,
Se visse que também isso é poesia!
Pobre Maria!