sábado, 25 de agosto de 2012

Sábado chuvoso


Foi um sábado que passou um pouco rápido porque acordei tarde em razão de ter ficado até de madrugada conversando com uns brasileiros e eslovenos, em inglês. Aqui no albergue é ótimo, as pessoas são todas de lugares diferentes, você nunca sabe em que língua deve falar e acaba falando inglês. É difícil falar inglês aqui, porque eu confundo as línguas e troco todas as palavras. Um samba do criolo doido - mas a gente se entende.
Se é assim com o inglês, que vemos todo o tempo, que dirá com o francês, que, na ansiedade que eu estava antes da viagem, ficou sem atenção nenhuma.
Por isso ontem fui a duas escolas de francês, na intenção de fazer um curso intensivo antes de começar a viver aqui: é muito ruim esquecer tudo quando você vai falar com as pessoas, trocar a conjugação dos verbos e só se dar conta depois que a conversa já acabou. À medida em que você vai errando, vai meio que se desencorajando. Ademais tem a compreensão, que é très difficile. A gente consegue se entender, mas fico me sentindo desconfortável por ter que fazer o outro se esforçar para ser entendido, etc. Como eu dizia, fui a duas escolas, mas ambas (todas as que eu vi na internet, também), estarão de férias semana que vem, então na próxima semana pensarei em como fazer algum curso de francês, porque afinal ainda não sei que horas terei aula de filosofia, que dias.
Vi um anúncio de uma pessoa que trocava um quarto em sua casa pelo serviço de cuidar das crianças: majoritariamente levar e buscar na escola e ser babá às vezes. Eu queria cuidar de crianças, até porque dizem que elas ensinam a gente a falar francês sem dó nem piedade. Mas ainda não sei se seria possível, por causa do horário das aulas. Em paralelo a isso, estou vendo anúncios de moradia, casas, gente procurando gente com quem morar - e mandando e-mails, para ver se estão válidos (muitos já estão obsoletos, outros só valem a partir de setembro, alguns do meio de setembro)...
Passei o dia mandando esses e-mails, sobretudo. O Joaquim, que eu conheci na faculdade, tinha colocado uns anúncios para me ajudar, ele disse que teve duas respostas, e disse que perguntaria os preços, etc.
Sei que vai dar tudo certo, mas enquanto não tenho casa, é tudo um pouco mais aflitivo. Tenho que fazer malabarismos com minha mala gigante sempre, pegar coisas, guardar coisas, enfiar tudo na mala, fechar, mudar de quarto às vezes, por causa de alguma re-arrumação do hostel... Dormir, tomar banho, fica tudo um pouco mais complicado com trinta quilos para cuidar.
Quanto à cidade, continua quente, hoje choveu de novo, muitas lojas estavam fechadas pela vizinhança... Aqui no albergue estamos na parte mais antiga da cidade, uma parte que é patrimônio mundial da unesco. Ainda não explorei o suficiente, em breve eu o farei, daí detalho.
Agora vou comer porque hoje não comi quase nada. Estava cansada de comer lanches e fui ao supermercado. Mas como aqui não é minha casa, não comprei coisa para cozinhar, comprei uma lasanha de microondas, que pelo menos vai ser melhor do que outro sanduíche. Na rua eles só tem hambúrgueres aqui! E kebabs, que lá em são paulo somos alertados para não comer. Aqui já comi uma vez no mcdonald's, já comi no subway... Mas o que vi mais mesmo, até agora, foi cabeleireiro. Sério mesmo. Engraçado, né? Ah, e aquela nova moda, dos macarons... Mesmo aqui eles são muito caros, tenho preferido os chocolates.
Gostei muito de saber que alguns de vocês gostaram de ler essas bobeirinhas quotidianas. No fim eles não são nada além de uma conversa mesmo, e, puxa, como é bom desabafar um pouco na língua materna! Além disso, saber que pessoas queridas estão lendo me lembra que tenho comigo sempre um monte de gente incrível. Obrigada, pessoas, e até logo!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Em Lyon agora!

Pelos próximos quase-6-meses estarei em Lyon, estudando, aprendendo francês, conhecendo lugares e pessoas incríveis e descobrindo mais um pedacinho do mundo e de mim mesma. Por essa boa razão estarei longe de muitas pessoas queridas. Pra elas me acompanharem se quiserem e também pra guardar um pouquinho dessa experiência, achei uma boa postar algumas impressões aqui, como um diariozinho. Nunca consegui manter um exercício de escrita por muito tempo mas, como este tem motivações, me propus a ver quanto tempo ele dura. Antes do texto, duas coisas: tranquilizem-se com o tamanho: este ficou maior do que os próximos ficarão porque é o primeiro, tem mais "primeiras impressões". E peço a vocês que considerem-no literariamente apenas na medida em que uma conversa despretensiosa com alguém em quem se confia é literária. Não reli e pensei duas vezes sobre muito poucas coisas. É isso, allons y!

Às 20:30 de 24/08/2012 o céu ainda está claro no verão daqui, as luzes começam a ser acesas.
A cidade fica em torno do encontro de dois rios, bordeados por construções antigas. São lindos. Não vi quase nenhuma construção branca até agora, a maioria variando entre o rosa e o amarelo claros, de 6 ou 7 andares. Não vi prédios muito altos, nem andei por região de casas térreas, e vi quase só um tipo de árvore: as "platanes", bem grandes, muitas acompanhando o rio.
O albergue em que estou é uma gracinha, todo colorido, limpo, bem iluminado e com móveis de boa qualidade.
Ontem eu andei pela região aqui perto da praça de Valmy. Muitas lojas estão fechadas para as férias de verão, o que seria bem engraçado no Brasil. Tentei achar um supermercado e passei direto, porque apesar do nome "Monoprix", ele parecia uma loja de roupa, por fora, tipo as Pernambucanas. É engraçado ver a globalização no supermercado. As marcas são muito mais internacionais do que eu pensava! Aqui o pão é barato. O tomate também, e são todos bem vermelhinhos, mas o gosto dos dois tipos que provei era bem parecido com o do Brasil. O kinder-ovo, chocolate em geral, balinhas e geleias são "pas chères" (porque barato é uma palavra que nem existe aqui). A água não é a mesma do Brasil, infelizmente, mas acho que a gente logo se acostuma. Foi engraçada a primeira vez que respirei fundo aqui em Lyon, depois de acomodar as bagagens. O ar estava bem úmido, um pouco pesado, um cheiro de rio, tudo diferente, que agora eu não percebo mais. É a mesma sensação da água, ser um pouco mais pesada, um pouco mais básica também. Às vezes parece que não vai matar a sede!
É engraçado escrever nos primeiros dias, porque temos muitas impressões novas. Conversamos pouco com as pessoas e ficamos observando o tempo todo.
Hoje estava observando três eslovenos falarem. Engraçado.
Quanto à falar com as pessoas, nas primeiras vezes em que fui falar francês fiquei muito nervosa e esqueci tudo de uma vez. As pessoas me perguntavam se eu falava inglês e eu me confundia igualmente, deve ser engraçado de ver. Hoje eu fui à faculdade, peguei uma chuva torrencial no meu caminho à pé. Ontem também choveu, ambas as chuvas "de verão": meia hora depois fazia sol, e muito calor.
Já tenho a carteirinha de estudante, mas ainda não sei de quase nada do meu futuro semestre. Amanhã volto à universidade para conversar com a pessoa responsável pelo alojamento e também para saber que aulas vou cursar. Hoje, lá, por coincidência falei com um senhor português, Joaquim, que perguntou de onde eu era e começou a falar em português comigo: disse que nunca viu uma brasileira tímida, me repreendeu um pouco, me ajudou a saber de um monte de coisa e disse: "coragem, Maria!". Haha... Na verdade, não acho que eu deva me cobrar essa coragem agora, porque não é fácil estar sozinha num lugar novo, onde eu não conheço os costumes e regras e ainda me atrapalho toda ao me comunicar! - Mas foi muito bom ter ouvido isso, vou me lembrar que posso me sentir um pouco mais segura.
Aliás, em geral, todas as pessoas a quem pedi ajuda foram muito simpáticas.
E aqui as pessoas que tenho visto na rua são todas diferentes umas das outras. Vi algumas moças com véu na cabeça, algumas pessoas que pareciam de origem cigana, e talvez tenha visto mais negros do que costumamos ver em São Paulo. Até que vi bastante criança, também, não tantos idosos quanto se diz.
Sobre o transporte público, não sei o quanto da cidade ele abarca, mas na aparência ele é bom: o metrô, os trens e os ônibus são todos novinhos. O metrô não tem muitos vagões, a bilheteria é uma maquininha que só aceita moedas, e os trens tem uma integração com a cidade muito bacana: a linha de trem é aberta, o pequeno trem cruza com carros, bicicletas e pedestres. Como não são 20 milhões de habitantes e não tem tanta gente na rua (talvez até por causa das férias), esse sistema pareceu funcionar bem.
Assim que puder, compro um celular e tiro fotos dos meus próximos passeios, para vocês verem. O céu é bonito como sempre, mas ainda não conheci as estrelas. Não farei isso hoje - hoje vou dormir, porque já está tarde aqui. Até logo!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Dar-se

       _Dá sua mão?
       Ela segurou carinhosamente a mão dele, e, se apercebendo do que disse, a apertou junto ao peito, brincando: "agora é minha". E sorriu; criança. Ele sorriu em resposta e pediu que lhe desse então sua bochecha, marcando sua propriedade com um beijo. Ela pediu por seu cabelo e ele pela sua cintura, puxando a moça que sorria para junto de si.
       Assim, nesse pouco falar, os dois se sabiam, não possuidores um do outro, mas entregues, desapegados de si - e por isso livres.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Laço

Ainda entre os escritos antigos, também este:

Vi um laço no lixo. A cena era bonita e triste, e me remetia muita coisa. Nenhum laço merece o lixo. E vivemos deixando laços de lado, sem fazer a menor questão deles.
Vai ver... Vai ver alguns laços são só pedaços de fita.
E vai ver todos são, mas a gente estreita alguns melhor. E os outros, não é "que vão para o lixo!", mas é que tanto faz onde estejam.

Da raiva

Revisitando antigos escritos, encontrei este:

O problema não é falar sem pensar. Falar sem pensar é bom, é libertador.
O ruim é falar com raiva. Não se deve falar muito, estando com raiva, não só porque fira as pessoas, mas também porque esse não seja um sentimento digno de ser fixado pelas palavras e propagado.

Talvez seja assim, a raiva não é mesmo um sentimento confortável.

Lembrete

Vi num lembrete que escrevi há um tempo:
É bom que você não vire outra pessoa ao entrar num relacionamento, porque se tiver que sair, seu eu-anterior pode estar do outro lado da porta, como você o deixou, e de alguma forma você terá que lidar com aquele estranho.

Na verdade o importante é não se alienar de si mesmo. No outro ou em qualquer coisa. Quando existiu algo no mundo que você sentiu que era responsável por você ser como é, você então projeta uma culpa ou um mérito, e você continua fora de si, em desacordo, correndo sempre o risco de encontrar consigo em qualquer esquina, estranhando você mesmo, que é a única coisa que você tem de fato. Não é bom.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Falta poesia

Hoje, lendo o blog de um distinto rapaz, invejei um tanto quanto saudosista sua habilidade não só com as palavras, mas com o sentir. Com o sentir o quase-imperceptível.

Minha vida anda precisada de poesia. Eu ando precisada de poesia.
Parar, ler, pensar, sentir.

"Mas como?"
- A parte rasa de minha razão se pergunta, argumentando desentendida.
"É uma das épocas mais coloridas da minha vida, essa que estou vivendo!".

Engraçado é que é, mesmo.
E não deixa de precisar de poesia.
Não é que lhe falte graça. Graça ela tem.
Risos, amores, beijos, insanidade e tudo o mais.

Só falta é poesia.
Só falta olhar, até com vista errada
Pra cena certa, na cor certa, no contraste certo.
Falta achar que acerta.
Mesmo enganada.

Ser sublime, ter sal e ser simples,
A Maria não sabe.
Precisa ser calma, firme, e ir direto ao ponto.
Achar que se cabe. E ponto.

Exagerar nas exclamações e experiências, ultrapassar as interrogações e encher a vida de reticências...

Ela precisa voltar a procurar o Sol se pondo manchado no céu laranjado.
Ela precisa parar de correr.
Ela precisa prestar atenção no caminho, e no destino.
Ela precisa ter calma.
Ela precisa medir a saudade.

Engraçado que, na verdade...
Podia até errar na euforia,
Podia até morrer de saudade,
Se visse que também isso é poesia!
Pobre Maria!

domingo, 16 de setembro de 2007

Socorro!

Socorro!
Não encontro mais palavras
Nem saber, pensar, dizer
Não vai dar mais pra ouvir,
Nem contar

Socorro!
Algum versado
Mesmo que sofista
Me ensine outros verbos
Já não sinto ser, nem crer,
Já não sei de nada

Socorro!
Alguém me tira o pensamento
Que hoje me fugiram
As palavras
Por favor!
Um remanso apenas
Qualquer coisa!
Qualquer coisa
Que se explique

Tem tanto entendimento
Deve ter algum calado
Qualquer coisa
Que se explique
Tem tanto entendimento
Deve ter algum calado

Socorro!
Alguma explicação para as não-palavras!
Que já estou sem norte
Sem sorte, amazorrada
Socorro!
Já não ouço nada

Socorro!
Não encontro mais palavras!
Nem saber, pensar, dizer
Não vai dar mais pra contar,
Só sentir.

Só sentir.

sábado, 1 de setembro de 2007

Como eu ia dizendo...

Eu cheguei aqui por engano.
No meu planeta há grupos de seres que marcam algum dia pra trocar de papel. Construtores que vão trabalhar na feira, cozinheiros que vão traficar chicletes alucinógenos, enfim...
Eu participava, era bem divertido, aprendi várias coisas inúteis, como preparar duendes grelhados ou ajustar a freqüência de mini-teletransportadores.
Mas era complicado, antes do tal dia tínhamos que esclarecer várias coisas, pra não estragar a vida do outro. E mesmo assim sempre dava alguma coisa errada.
Certa vez, depois de um dia desses, minha "substituta" me ligou do meu bar predileto. Estava se divertido com meus amigos, tomando a minha bebida preferida, comendo minhas pastilhas preferidas. E disse que isso era bom, porque assim eu teria meu meio de volta, quando voltasse da expedição.
"Que expedição??" - Perguntei, assustada.
"Ué, eu te avisei: 'nesse dia vamos pra Terra'"
"Eu tinha entendido 'nesse dia vamos pra guerra'!"
- Por mim estava tudo bem, eu jogaria uma partida de buraco com o inimigo e pronto. Não sou tão boa, mas sempre tive vontade de ir pra guerra.
"Não, não... É pra Terra, mesmo. Um planeta no braço de Órion da Via Láctea"
"Ãhn?"
Eu não sabia nada de geografia espacial...
Aí ela começou a explicar... Fiquei com raiva, nessa hora: Só aí soube que estava vindo pra um planetinha sem pastilhas sabor sorvete de mankce.

Mas, bem, tirando isso, achei que poderia ser legal, pra me conformar. Me senti até importante, como pesquisadora espacial, essas coisas.

Chegando aqui fiquei maravilhada com algumas coisas, consternada com outras... "Puxa, esses humanozinhos são mesmo criativos!", pensei, feliz, a princípio.
Mas o que mais me surpreendeu foi o RPG.
Interpretar papéis sem o risco de ter que pesquisar sobre a vida, o universo e tudo o mais num planetinha miserável sem pastilhas sabor sorvete de mankce!?

Como ninguém lá no meu planeta pensou nisso antes?


[Numa conversa com o Sr. Ornitorrinco eu contei minha triste história e acabei recebendo um meme por ela. (Céus! A história ficou ruim, mas não era pra tanto!) Mas, enfim, acabei também sendo aliciada a postar no blog. Palavras dele: "eu acho que vc devia postar [...] faça isso como teste, e avalie a reação das pessoas [...] É questão de usar a estupidez e total falta de gosto (destruído por anos de programação ruim da TV) do seu público."]

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Apógrafos - II

Paulo Leminski


ERRA UMA VEZ

nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

Em "LA VIE EN CLOSE"



ali
só
ali
se

se alice
ali se visse
quanto alice viu
e não disse

se ali
ali se dissesse
quanta palavra
veio e não desce

ali
bem ali
dentro da alice
só alice
com alice
ali se parece

Em "Caprichos & Relaxos"

domingo, 19 de agosto de 2007

Só pra guardar.

E com um marcador só, sem nem fazer jus a ele.

Zerei.

domingo, 12 de agosto de 2007

Apógrafos - I

"A Maria é chata. Vou estrangular a Maria."
Com amor, de meu irmão caçula.




E, já que não tinha postado nada do Dahmer antes:

domingo, 3 de junho de 2007

Mais simples

A gente acha que deveria saber o que deve fazer.
A gente acha que deveria saber como fazer.
E a gente acha que deveria saber o que vai acontecer agora.

A gente faz planos e a gente aposta neles, e se apóia neles.

A gente tenta ser coerente.
A gente tenta ter controle sobre nossa vida. Tenta sempre.

A gente pensa nas conseqüências.

A gente tenta resolver os problemas.
A gente se esforça pra resolver os problemas.

A gente quer estar feliz.
A gente sempre quer estar feliz...
(Mas a gente nunca sorri.)


Tudo parece um despropósito tão grande. E a gente continua se preocupando, e se preocupando, e se preocupando, e os despropósitos aumentam, e a gente nunca os entende ou descomplica, mas nunca se conforma com isso, também...


Porque a gente não pode simplesmente... viver?

quinta-feira, 22 de março de 2007

Testezinho interessante

(E feliz... Hahahahaha)

Um amigo me passou um daqueles testes de personalidade.
Só que um baseado em Jung. Como estimo o amigo e o teste era rápido de fazer, eu fiz. E deu um resultado engraçado, curioso.
Elevou meu ego, como todo teste de estereótipos que se preze. Ou mesmo que não se preze... Hahahaha...
Bom, elevou meu ego tirando a parte que diz que não presto atenção aos sentimentos das pessoas, e que sou tão avoada que não presto atenção a tarefas rotineiras, como pagar contas ou me "vestir apropriadamente". Mas é curioso mesmo assim (não que seja verdade, não é isso... Hahahaha).

Aqui está o teste, se quiser fazer. Depois me diga o que deu, é claro. Hahahaha.

O meu resultado é esse, mas isso tá aqui só pra eu poder fazer depois de um tempo e comparar. Meus documentos, word ou bloco de notas estão obsoletos, o negócio agora é guardar coisas inúteis no seu blog. Hahahaha...

quarta-feira, 14 de março de 2007

Sobre os pequenos pedaços de vida. E de morte.

Às vezes dá vontade de gravar a vida. Pra poder assistir de novo, um dia.
Quando era criança pensava que poderia muito bem ser assim, quando morrêssemos.
Mas como não temos a garantia de que a vida será gravada, quardamos pequenos retalhos.
Um diário. Uma foto, um álbum cheio delas, várias cartas, antigos cadernos, lembranças de amigos, de lugares, de instantes, de pensamentos, de modos de ver o mundo... Lembranças de você mesmo, do que você era e do que o mundo era, numa, talvez, tentativa de imaginar como poderá ser, depois.
Menos poética e mais recentemente, um blog. O histórico do MSN ou, simplesmente, os recados do Orkut.
Eles estão lá, ordenados por data, marcando dia por dia, recado por recado, pessoa por pessoa, amigo por amigo, desconhecido por desconhecido, desconhecido que virou amigo, amigo que hoje é desconhecido, desconhecido que passou, amigo que mudou de cara... Mas você não sabe disso, não lembra.
Até que o "um dia" em que você ia assistir à vida de novo, ou o que acha que foi a vida, mas que não são mais que aqueles fragmentos que conseguiu prender, resolve chegar. Sem nenhum motivo especial... Você só ia limpar a gaveta, o armário, rearrumar o quarto, achou a tal pilha de papéis, o tal álbum de fotografia, a caixa de lembranças, estava à toa pela internet, resolveu reler os escritos do blog.
Mas é tão estranho rever isso tudo...
É tão estranho, aquela vida, aqueles retalhos de vida, de conversa, eles... Eles parecem pouco vivos. Digo, eles estão mortos! Mas parece que não foram vividos, não como deveriam... Parece que cada conversa, debate ou discussão, poderia ter sido tão mais longo, divertido e proveitoso...
Foram-se uns tempos, vieram outros.
Adorável virem outros, o que parece que é nunca aproveitamos os "uns" que foram, direito.
Acho que o pequeno pedaço de vida eterna poderia muito bem ser assim quando morrermos.
"Que raiva, por que não gravamos tudo?" Pensaremos, a princípio.
E então começaremos a rever o filme de nossa vida. Mas mais rápido, rápido o suficiente pra não pensarmos que estamos revivendo, além de não lembrarmos da monotonia da pobre. Pensaremos é que vivemos mal e pouco tudo isso.
Seria um belo martírio...
No fim, como Deus é bonzinho, antes dos créditos, passariam uns poemas de Álvaro de Campos, pra acabar com o saudosismo. Depois lemos algumas das belíssimas frases de Brás Cubas, damos umas risadas sarcásticas e dormimos um sono merecido.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Mais música clássica

"Há música para os mais variados tipos de doença: Mozart. Beethoven. Schumann. Chopin. Brahms, Ravel. Os médicos deveriam receitar aos seus pacientes, junto com os remédios bioquímicos, a música...

Bom seria se a música clássica se ouvisse nos consultórios médicos, nas escolas, nas fábricas, nos escritórios, nas rádios. Há cidades que têm essa felicidade: rádios FM que tocam música clássica o dia inteiro. Infelizmente não é o caso de Campinas. Mas poderia ser... A música clássica desperta, nas pessoas, aquilo que elas têm de melhor e de mais bonito. Música clássica contribui para a cidadania." Rubem Alves


"Uma saudade indefinível de um lugar encantado em que você nunca esteve", é uma das coisas que Rubem Alves diz que a Música Clássica suscita nele.


E eu aqui pensando: "Diabos, eu conheço tão pouco!"
Preciso começar logo minhas incursões por esse mundo nostálgico, mágico, surreal.
Coisas assim são imperdíveis.

E estou cada vez mais fã de Rubem Alves.

Ah, e esse texto eu achei ao procurar alguma dica de alguma música clássica ideal pra bebês, recém-nascidos. Não sei, algo calmo, leve. Estou ouvindo Mozart, Ravel e Tchaikovsky, pra ver se acho o que quero.
Conheci hoje um pequenino, já muito querido, que quero presentear.
Tomara que ele não fique tão relapso quanto a Maria, quando crescer.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Tentativas de cantarolar saltitando...

...Me renderam dores nas pernas e a triste constatação de que eu não sei cantarolar. Principalmente Mozart ou o Bolero de Ravel em "parararans".

Mas são legais mesmo assim.

Haha.

Incrível...

Voltando à rotina.
Teatro;
Trabalho;
Escola...
Aulas de biologia. As terríveis aulas de biologia.

E discussão no final da aula porque a nobre professora defende "não a pena de morte, mas a execução. Afinal a pena de morte dá muitos custos pro estado, e demora muito."

Pleno século XXI e ninguém vê a incoerência da pena de morte (evolução lenta, essa da nossa racinha, hein?).
Pior, só mesmo ela dizendo que "sob alguns aspectos, a ditadura era muito melhor, mesmo" e que "os jovens estão muito folgados, matando alguns eles ficarão com medo, e só assim terão disciplina".

Putz...

Ahm, não, melhor nem comentar, já usei de todos argumentos que podia.

Só sei que é incrível, é realmente incrível.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Pequena bizarrice

"Na dúvida, fique parado."

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Ao pé da árvore

Ia escrever.

Mas não sabia. Estava receosa. Não escrevia há tanto tempo.

Escrever era bom, pelo que ela podia lembrar. Aliviava. Era estranho. Mas era bom.

O problema é que ela gostava tanto, que não escrevia.

Ela gostava. Adorava escrever. E escrever algo ruim, pensava, não valia a pena. Pra quê desperdiçar palavras e construções – idéias não, suas idéias ela não prezava tanto – à toa, palavras que poderiam servir pra descrever idéias tão mais relevantes... E ela usaria assim, indiscriminadamente, só por falta do que fazer?

Não, não era muito justo.

Escrever por falta do que fazer! Não podia...

E... Simplesmente sair escrevendo, era assim que ela gostava.

Sem mistérios, sem pompas, sem problemas, sem implicações nem implicâncias. As palavras apareciam, ela escrevia, lia, gostava. Ou não. E mudava, mexia em uma coisinha ou outra. E pronto.

E pronto, mesmo.

Sem finais esplêndidos, ou morais no final da história. Sem idéias grandiosas, sem mensagens, sem mistérios, sem nada demais, nem nada que alguém comum não pudesse fazer.

Não, ela não queria ser alguém comum. Mas, poxa, que havia de errado com isso? E se fosse? Não queria, mas isso não é coisa que se escolhe. Ela era e pronto.

Por que não escrever?

Escrever era algo tão singelo, pra ela.

Tão interessante, tão delicado.

Tanto, que, desperdiçar escrita pra transmitir meias idéias simplesmente não valia a pena. Nem a tinta, nem o papel.

“Mas é tudo reutilizável, a gente recicla!”

Escrever pra não dizer nada. É mesmo válido?

“Válido é se sentir bem”, dizia uma voz afável ao longe.

Ela pegou o papel. Riscou. Um, dois, três versos. Sorriu e depois dormiu, ao pé da árvore.