sábado, 1 de setembro de 2007

Como eu ia dizendo...

Eu cheguei aqui por engano.
No meu planeta há grupos de seres que marcam algum dia pra trocar de papel. Construtores que vão trabalhar na feira, cozinheiros que vão traficar chicletes alucinógenos, enfim...
Eu participava, era bem divertido, aprendi várias coisas inúteis, como preparar duendes grelhados ou ajustar a freqüência de mini-teletransportadores.
Mas era complicado, antes do tal dia tínhamos que esclarecer várias coisas, pra não estragar a vida do outro. E mesmo assim sempre dava alguma coisa errada.
Certa vez, depois de um dia desses, minha "substituta" me ligou do meu bar predileto. Estava se divertido com meus amigos, tomando a minha bebida preferida, comendo minhas pastilhas preferidas. E disse que isso era bom, porque assim eu teria meu meio de volta, quando voltasse da expedição.
"Que expedição??" - Perguntei, assustada.
"Ué, eu te avisei: 'nesse dia vamos pra Terra'"
"Eu tinha entendido 'nesse dia vamos pra guerra'!"
- Por mim estava tudo bem, eu jogaria uma partida de buraco com o inimigo e pronto. Não sou tão boa, mas sempre tive vontade de ir pra guerra.
"Não, não... É pra Terra, mesmo. Um planeta no braço de Órion da Via Láctea"
"Ãhn?"
Eu não sabia nada de geografia espacial...
Aí ela começou a explicar... Fiquei com raiva, nessa hora: Só aí soube que estava vindo pra um planetinha sem pastilhas sabor sorvete de mankce.

Mas, bem, tirando isso, achei que poderia ser legal, pra me conformar. Me senti até importante, como pesquisadora espacial, essas coisas.

Chegando aqui fiquei maravilhada com algumas coisas, consternada com outras... "Puxa, esses humanozinhos são mesmo criativos!", pensei, feliz, a princípio.
Mas o que mais me surpreendeu foi o RPG.
Interpretar papéis sem o risco de ter que pesquisar sobre a vida, o universo e tudo o mais num planetinha miserável sem pastilhas sabor sorvete de mankce!?

Como ninguém lá no meu planeta pensou nisso antes?


[Numa conversa com o Sr. Ornitorrinco eu contei minha triste história e acabei recebendo um meme por ela. (Céus! A história ficou ruim, mas não era pra tanto!) Mas, enfim, acabei também sendo aliciada a postar no blog. Palavras dele: "eu acho que vc devia postar [...] faça isso como teste, e avalie a reação das pessoas [...] É questão de usar a estupidez e total falta de gosto (destruído por anos de programação ruim da TV) do seu público."]

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Apógrafos - II

Paulo Leminski


ERRA UMA VEZ

nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

Em "LA VIE EN CLOSE"



ali
só
ali
se

se alice
ali se visse
quanto alice viu
e não disse

se ali
ali se dissesse
quanta palavra
veio e não desce

ali
bem ali
dentro da alice
só alice
com alice
ali se parece

Em "Caprichos & Relaxos"

domingo, 19 de agosto de 2007

Só pra guardar.

E com um marcador só, sem nem fazer jus a ele.

Zerei.

domingo, 12 de agosto de 2007

Apógrafos - I

"A Maria é chata. Vou estrangular a Maria."
Com amor, de meu irmão caçula.




E, já que não tinha postado nada do Dahmer antes:

domingo, 3 de junho de 2007

Mais simples

A gente acha que deveria saber o que deve fazer.
A gente acha que deveria saber como fazer.
E a gente acha que deveria saber o que vai acontecer agora.

A gente faz planos e a gente aposta neles, e se apóia neles.

A gente tenta ser coerente.
A gente tenta ter controle sobre nossa vida. Tenta sempre.

A gente pensa nas conseqüências.

A gente tenta resolver os problemas.
A gente se esforça pra resolver os problemas.

A gente quer estar feliz.
A gente sempre quer estar feliz...
(Mas a gente nunca sorri.)


Tudo parece um despropósito tão grande. E a gente continua se preocupando, e se preocupando, e se preocupando, e os despropósitos aumentam, e a gente nunca os entende ou descomplica, mas nunca se conforma com isso, também...


Porque a gente não pode simplesmente... viver?

quinta-feira, 22 de março de 2007

Testezinho interessante

(E feliz... Hahahahaha)

Um amigo me passou um daqueles testes de personalidade.
Só que um baseado em Jung. Como estimo o amigo e o teste era rápido de fazer, eu fiz. E deu um resultado engraçado, curioso.
Elevou meu ego, como todo teste de estereótipos que se preze. Ou mesmo que não se preze... Hahahaha...
Bom, elevou meu ego tirando a parte que diz que não presto atenção aos sentimentos das pessoas, e que sou tão avoada que não presto atenção a tarefas rotineiras, como pagar contas ou me "vestir apropriadamente". Mas é curioso mesmo assim (não que seja verdade, não é isso... Hahahaha).

Aqui está o teste, se quiser fazer. Depois me diga o que deu, é claro. Hahahaha.

O meu resultado é esse, mas isso tá aqui só pra eu poder fazer depois de um tempo e comparar. Meus documentos, word ou bloco de notas estão obsoletos, o negócio agora é guardar coisas inúteis no seu blog. Hahahaha...

quarta-feira, 14 de março de 2007

Sobre os pequenos pedaços de vida. E de morte.

Às vezes dá vontade de gravar a vida. Pra poder assistir de novo, um dia.
Quando era criança pensava que poderia muito bem ser assim, quando morrêssemos.
Mas como não temos a garantia de que a vida será gravada, quardamos pequenos retalhos.
Um diário. Uma foto, um álbum cheio delas, várias cartas, antigos cadernos, lembranças de amigos, de lugares, de instantes, de pensamentos, de modos de ver o mundo... Lembranças de você mesmo, do que você era e do que o mundo era, numa, talvez, tentativa de imaginar como poderá ser, depois.
Menos poética e mais recentemente, um blog. O histórico do MSN ou, simplesmente, os recados do Orkut.
Eles estão lá, ordenados por data, marcando dia por dia, recado por recado, pessoa por pessoa, amigo por amigo, desconhecido por desconhecido, desconhecido que virou amigo, amigo que hoje é desconhecido, desconhecido que passou, amigo que mudou de cara... Mas você não sabe disso, não lembra.
Até que o "um dia" em que você ia assistir à vida de novo, ou o que acha que foi a vida, mas que não são mais que aqueles fragmentos que conseguiu prender, resolve chegar. Sem nenhum motivo especial... Você só ia limpar a gaveta, o armário, rearrumar o quarto, achou a tal pilha de papéis, o tal álbum de fotografia, a caixa de lembranças, estava à toa pela internet, resolveu reler os escritos do blog.
Mas é tão estranho rever isso tudo...
É tão estranho, aquela vida, aqueles retalhos de vida, de conversa, eles... Eles parecem pouco vivos. Digo, eles estão mortos! Mas parece que não foram vividos, não como deveriam... Parece que cada conversa, debate ou discussão, poderia ter sido tão mais longo, divertido e proveitoso...
Foram-se uns tempos, vieram outros.
Adorável virem outros, o que parece que é nunca aproveitamos os "uns" que foram, direito.
Acho que o pequeno pedaço de vida eterna poderia muito bem ser assim quando morrermos.
"Que raiva, por que não gravamos tudo?" Pensaremos, a princípio.
E então começaremos a rever o filme de nossa vida. Mas mais rápido, rápido o suficiente pra não pensarmos que estamos revivendo, além de não lembrarmos da monotonia da pobre. Pensaremos é que vivemos mal e pouco tudo isso.
Seria um belo martírio...
No fim, como Deus é bonzinho, antes dos créditos, passariam uns poemas de Álvaro de Campos, pra acabar com o saudosismo. Depois lemos algumas das belíssimas frases de Brás Cubas, damos umas risadas sarcásticas e dormimos um sono merecido.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Mais música clássica

"Há música para os mais variados tipos de doença: Mozart. Beethoven. Schumann. Chopin. Brahms, Ravel. Os médicos deveriam receitar aos seus pacientes, junto com os remédios bioquímicos, a música...

Bom seria se a música clássica se ouvisse nos consultórios médicos, nas escolas, nas fábricas, nos escritórios, nas rádios. Há cidades que têm essa felicidade: rádios FM que tocam música clássica o dia inteiro. Infelizmente não é o caso de Campinas. Mas poderia ser... A música clássica desperta, nas pessoas, aquilo que elas têm de melhor e de mais bonito. Música clássica contribui para a cidadania." Rubem Alves


"Uma saudade indefinível de um lugar encantado em que você nunca esteve", é uma das coisas que Rubem Alves diz que a Música Clássica suscita nele.


E eu aqui pensando: "Diabos, eu conheço tão pouco!"
Preciso começar logo minhas incursões por esse mundo nostálgico, mágico, surreal.
Coisas assim são imperdíveis.

E estou cada vez mais fã de Rubem Alves.

Ah, e esse texto eu achei ao procurar alguma dica de alguma música clássica ideal pra bebês, recém-nascidos. Não sei, algo calmo, leve. Estou ouvindo Mozart, Ravel e Tchaikovsky, pra ver se acho o que quero.
Conheci hoje um pequenino, já muito querido, que quero presentear.
Tomara que ele não fique tão relapso quanto a Maria, quando crescer.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Tentativas de cantarolar saltitando...

...Me renderam dores nas pernas e a triste constatação de que eu não sei cantarolar. Principalmente Mozart ou o Bolero de Ravel em "parararans".

Mas são legais mesmo assim.

Haha.

Incrível...

Voltando à rotina.
Teatro;
Trabalho;
Escola...
Aulas de biologia. As terríveis aulas de biologia.

E discussão no final da aula porque a nobre professora defende "não a pena de morte, mas a execução. Afinal a pena de morte dá muitos custos pro estado, e demora muito."

Pleno século XXI e ninguém vê a incoerência da pena de morte (evolução lenta, essa da nossa racinha, hein?).
Pior, só mesmo ela dizendo que "sob alguns aspectos, a ditadura era muito melhor, mesmo" e que "os jovens estão muito folgados, matando alguns eles ficarão com medo, e só assim terão disciplina".

Putz...

Ahm, não, melhor nem comentar, já usei de todos argumentos que podia.

Só sei que é incrível, é realmente incrível.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Pequena bizarrice

"Na dúvida, fique parado."

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Ao pé da árvore

Ia escrever.

Mas não sabia. Estava receosa. Não escrevia há tanto tempo.

Escrever era bom, pelo que ela podia lembrar. Aliviava. Era estranho. Mas era bom.

O problema é que ela gostava tanto, que não escrevia.

Ela gostava. Adorava escrever. E escrever algo ruim, pensava, não valia a pena. Pra quê desperdiçar palavras e construções – idéias não, suas idéias ela não prezava tanto – à toa, palavras que poderiam servir pra descrever idéias tão mais relevantes... E ela usaria assim, indiscriminadamente, só por falta do que fazer?

Não, não era muito justo.

Escrever por falta do que fazer! Não podia...

E... Simplesmente sair escrevendo, era assim que ela gostava.

Sem mistérios, sem pompas, sem problemas, sem implicações nem implicâncias. As palavras apareciam, ela escrevia, lia, gostava. Ou não. E mudava, mexia em uma coisinha ou outra. E pronto.

E pronto, mesmo.

Sem finais esplêndidos, ou morais no final da história. Sem idéias grandiosas, sem mensagens, sem mistérios, sem nada demais, nem nada que alguém comum não pudesse fazer.

Não, ela não queria ser alguém comum. Mas, poxa, que havia de errado com isso? E se fosse? Não queria, mas isso não é coisa que se escolhe. Ela era e pronto.

Por que não escrever?

Escrever era algo tão singelo, pra ela.

Tão interessante, tão delicado.

Tanto, que, desperdiçar escrita pra transmitir meias idéias simplesmente não valia a pena. Nem a tinta, nem o papel.

“Mas é tudo reutilizável, a gente recicla!”

Escrever pra não dizer nada. É mesmo válido?

“Válido é se sentir bem”, dizia uma voz afável ao longe.

Ela pegou o papel. Riscou. Um, dois, três versos. Sorriu e depois dormiu, ao pé da árvore.

domingo, 24 de dezembro de 2006

Sem texto, mas com vídeo...

Na falta de criatividade, vai algo pronto.





É o primeiro curta do Tim Burton.
E, não sei por que, mas o garoto me lembra o Calvin. Hahahahaha...

domingo, 12 de novembro de 2006

Outro "about me"

A Maria muda de personalidade (sutil ou bruscamente) dependendo, dentre outros pormenores:
De estar sozinha ou acompanhada - neste caso, dependendo também da companhia;
Do desencadear dos fatos anteriores ao analisado;
Das coisas que ela está fazendo ou nas quais está pensando.
Do assunto da conversa, quando há.
Da música ou do silêncio que ela está ouvindo.
Do lugar em que ela se encontra;
Do tanto que ela está com sono.

Devido ao alto e complexo número de variáveis, ela ainda não calculou (nem pretende calcular) exatamente quem é.
E muito menos calcular a impressão que você terá dela, já que isso tem um número de variáveis zilhões de vezes maior, além delas serem mais complexas.

A única coisa que ela faz é lhe desejar boa sorte.



PS: Bem, me explicando de novo, eu posto os "about me"s aqui para ficarem guardados. Se salvasse no Word eu, mais cedo ou mais tarde, os apagaria. A princípio não há nenhuma intenção de reutilizar essas descrições. A intenção mesmo de guardar é só a de poder reler e, quando o estiver fazendo, achar graça de meus textos um tanto medíocres e pretensiosos, daqui algum tempo. O que, aliás, é o propósito de todo este blog. Achei que os intentos convergiam, e que não há problema em salvar aqui os "about me"s.

domingo, 5 de novembro de 2006

Só pra constar...

Não, não vai dar tudo certo.




Não vai dar tudo certo, mesmo. Essa é a lição de hoje. "Sob hipótese alguma tal coisa dará certo, seja qual for a coisa", quanto mais se ela for 'tudo' .
E se, por um inestimável acaso feliz, der certo, pelo menos você pode ficar alegre e contar como um ponto pra você, no lugar de se lamentar por ter passado um tempão acreditando que as coisas dariam certo, sem no final isso acontecer.
Só não fique muito alegre, porque depois disso tem os outros pontos em que as coisas não vão dar certo.
E, se aquele resquício da mais medíocre esperança ainda te deixa em dúvida, digo que o maior indício de que não dará certo é que terminamos mortos.
Sim, lá, no "grand finale", onde todo mundo, mesmo o mais cético, acredita que vai dar certo, que tem que dar certo, estamos já a sete palmos.
E aí, de que adianta?

sábado, 21 de outubro de 2006

Recebi por e-mail

Esse, abaixo, é um texto que recebi por e-mail.
Não é nenhum supra-sumo, mas eu achei interessante, e pensei ser mais fácil colá-lo aqui do que escrever outro sobre o mesmo assunto.
Tudo bem que você pode já o ter recebido. Mas aí também seria perda de tempo ler um texto inédito (quanto mais meu) sobre isso.
E, sim, o propósito do autor é levantar a auto-estima do brasileiro. (Coisa que era muito usada na ditadura, diga-se de passagem. Mas o texto foi feito em 2001, não é propaganda pro senhor presidente populista. Nem me parece para o senhor ex-presidente intelectualóide.)
Aliás, Luiz Marins, o autor do texto, é um antropólogo que trabalha, aparentemente, motivando levantando a moral das pessoas. Meio mané, sim, mas...
Talvez estejamos mesmo precisados de ânimo e um pouco de motivação.
Fica aí, para quem topar.


"NEM PARECE O BRASIL..." (Artigo publicado em 2001)

Luiz Marins

Ao comemorarmos, neste setembro a "Semana da Pátria", o que leremos na maioria dos jornais? O que assistiremos na televisão? O que ouviremos nas rádios?
Aposto 1.000 contra 10 que a maior parte dos comentários serão do tipo: "O Brasil, pior do que nunca, comemora sua independência, totalmente dependente do FMI"; "Brasil: 45 milhões de miseráveis não têm nada a comemorar na Semana da Pátria"; "Brasil comemora sua independência com corrupção, violência, desemprego, greves...".
Com certeza ninguém vai dizer que somos o único país do hemisfério sul dentro do projeto Genoma e que nossos cientistas estão entre os mais respeitados do mundo. Ninguém vai dizer que o Brasil é o país que tem tido o maior sucesso dentre todos os países no combate à AIDS e vem sendo exemplo mundial. Ninguém vai dizer que temos 15 fábricas de veículos instaladas, mais quatro se instalando e que somos uns dos maiores mercados do mundo contemporâneo e que, apesar da crise argentina, as empresas continuam com suas intenções firmes de investimento.
Ou seja, ninguém mostrará a parte cheia do cálice chamado Brasil. Vamos só mostrar a parte vazia. Vamos novamente nos auto-flagelar, falar mal de nós próprios. Vamos nos chamar a todos de corruptos, ladrões, aproveitadores e preguiçosos. Por que somos assim?
A manchete de um dos maiores jornais do Brasil, ao noticiar o menor índice de desemprego desde 1997 assim escreveu: "Desalento e Descrença faz índice de desemprego baixar" (sic) e no corpo da matéria afirma que as pessoas estão tão desalentadas, desencantadas e desanimadas que "desistiram de buscar emprego...". Será esse também o motivo para os espanhóis de Madri que têm 21% de desemprego? Ora, se isso é verdade, o oposto também deveria ser. Ou seja, quando o desemprego aumenta é porque as pessoas estão "animadas e esperançosas" e acreditando no Brasil?
Todos os países comemoram suas datas nacionais valorizando os aspectos positivos da nação, do povo, das pessoas. Por que não nos comparamos com a violência do oriente médio? Com os atentados na Irlanda? Com os atentados na Espanha? Com o massacre da Macedônia e dos Albaneses? Com o que está acontecendo desde o Afeganistão ou nos países africanos? Por que não dizemos que temos 97,3% das crianças de 7 a 14 anos freqüentando escolas e só falamos do "baixo nível da educação brasileira"?
Por que não propalamos que o Brasil tem 40% dos internautas da América Latina – o dobro do México e que somos o quinto país do mundo em número de telefones fixos instalados e o segundo maior mercado de telefones celulares? Por que não falamos que temos o mais moderno sistema bancário do mundo? Que nossas eleições – limpas e honestas, tiveram mais de 100 milhões de votos apurados em 24 horas? (Compare com o "fiasco" da eleição americana...). Por que não falamos que de meros exportadores de tecidos, somos hoje considerados uma das capitais mundiais da moda, segundo o Le Monde francês? Por que não propalamos que somos o país em desenvolvimento com o maior número de empresas com certificação de qualidade pela ISO 9000 com 6.890 empresas certificadas enquanto o México tem apenas 300 empresas e a Argentina 265? Que somos o segundo maior mercado de biscoitos, jatos executivos e helicópteros, chocolate, que nosso mercado editorial de livros é maior do que a Itália, com mais de 50.000 títulos novos por ano? Que nossas agências de publicidade ganham os melhores e maiores prêmios do mundo? Que somos o país mais "empreendedor" do mundo com 16% da população economicamente ativa, na frente dos Estados Unidos? Que a cidade do Rio de Janeiro foi considerada em pesquisa em mais de 50 cidades do mundo a mais "solidária" do mundo? Que mais de 70% dos brasileiros – pobres e ricos – dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários? Que 54% das empresas brasileiras participam de projetos comunitários? Que nosso setor agrícola e pecuário vem se desenvolvendo com produtividades crescentes e moderna tecnologia, dobrando a produtividade agrícola com a mesma área agricultável?
Por que não dizemos que somos hoje a terceira maior democracia do mundo? Que apesar de todas as mazelas o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países "civilizados"? Quantos países têm a imprensa livre e investigativa que temos? Segundo a The Economist, (30-6-2001) de zero a dez, o índice de corrupção no Brasil é seis. Isso foi amplamente divulgado. Mas poucos disseram que somos considerados menos corruptos do que o México, Argentina, China, Tailândia, Filipinas, Índia, Rússia, Indonésia e muitos outros países em desenvolvimento, e à nossa frente quase todos os países são os desenvolvidos europeus, poucos asiáticos e os EUA. Qual o país que já fez o "impeachment" de um presidente e tirou vários senadores da república de seus postos? Que a população indígena brasileira vem crescendo e com terras demarcadas para sua sobrevivência cultural? Qual foi o instituto demográfico que contou em 1.500 os cinco milhões de índios que a imprensa diz que matamos desde o descobrimento do Brasil?
Este verdadeiro "vício" de se auto-flagelar, de só falar mal de si próprio, faz o brasileiro ficar literalmente cego para valores essenciais de nossa cultura, de nosso povo, da nação brasileira. Reduzimos tudo a "governo" e como não se pode falar bem de nenhum governo (seja federal, estadual ou municipal) que se é logo rotulado de "bajulador" e "alienado" ficamos com essa sensação horrível de que somos o povo mais infeliz do universo. Pode ver: quando uma coisa é bem feita, é bonita, é limpa, dizemos – "Nem parece o Brasil!" e quando uma coisa é horrível, de baixa qualidade, suja, desonesta, dizemos: "Isto é o Brasil!". Até quando???
Até quando seremos patrulhados como foram Gilberto Freire e Sérgio Buarque de Holanda – para não citar outros mais – quando falamos bem do Brasil e do homem brasileiro mostrando seus aspectos de tolerância, de cordialidade?
É claro que temos problemas – e muitos. E graves! Deles não preciso falar. Basta abrir os jornais, assistir os telejornais e ler nossas revistas.
Mas temos também valores que precisamos aprender a enxergar e a comemorar. O Brasil precisa dar-se o direito de ser feliz. Comemore a parte cheia do cálice chamado Brasil. Acredite. Você pode se orgulhar de ser brasileiro! Você tem esse direito"

sábado, 14 de outubro de 2006

Questões

Faz 20 anos que explodiu o reator número 4 da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia.
Incompetência, erro de projeto, erro de operação, deslize, bizonhice... O que diabos foi aquilo?

EUA confirmam radioatividade na Coréia do Norte.
Hum, tá, bacana. Mas, afinal, o que os EUA têm a ver com a radioatividade da Coréia do Norte?

Os EUA já fizeram, aproximadamente, 1050 testes. E não ratificaram o Tratado de Interdição Completa de Ensaios Nucleares, por quê?

Os cinco membros permanentes da ONU são os cinco países a primeiro reconhecerem arma nuclear e que mais exportam armamentos. Só que... A ONU não era uma instituição de fins pacíficos?

Por que Índia e Paquistão, que já fizeram testes nucleares, não são signatários do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares?

Por que a África do Sul assinou?

Por que a ONU fica nos Estados Unidos?

Por que existem cabeças ambiciosas incrivelmente pequenas que ainda acreditam que o poder de uma nação vale alguma coisa?

Por que alguns seres ainda acreditam que o respeito imposto vale a humilhação da outra pessoa?

Em suma...

Por que eu ainda tento acreditar no ser humano?

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Calçada da Fome



Isso é do Cactos Intactos.
Eu recebia e-mails com filmes, críticas e comentários deles há um tempo. E, confesso, achava legal mas nunca tinha apostado muito. Dessa vez eu vi o filme e fiquei surpresa. É bom mesmo!

Eu sempre quis conversar a fundo com mendigos, assim, exatamente como Hfroid faz no vídeo. Tenho vontade de saber o que eles pensam, o que os deixam indignados, o que os deixam felizes...

Na verdade eu queria saber isso de qualquer qualquer pessoa comum. Incomodar com perguntas que exigem uma posição. É que as pessoas que conversam sobre roupas e novelas o dia todo desviam o assunto.

Talvez os mendigos respondam (e me parecem extremamente sinceros) porque nunca são ouvidos. Talvez eles estivessem dispostos a falar sobre qualquer coisa. Talvez eles queiram que alguém saiba o que eles pensam. É normal. Quando se pensa.

Sabe, eu tinha mesmo vontade de conversar com eles.
Mas, por um motivo ou outro, que não sei identificar, mas do qual me envergonho de qualquer forma, eu tenho medo de falar com eles. Um receio que ainda será superado, mas ainda receio.

Talvez o medo seja aquele que todos que têm casa e comida aprenderam a ter, um medo instintivo, por convenção social.
Mas talvez seja o medo de ver o quanto sou egoísta, injusta, hipócrita ou qualquer coisa do tipo.
O quanto eu sou, o quanto você é, o quanto somos todos, ao deixá-los à margem da sociedade, assim.
São pessoas como outras quaisquer. Ou não, podem ser pessoas pensantes. Mas aí é um motivo a menos para excluí-los.


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sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Eleições

Muito bem... Cá estamos nós, a algumas horas das eleições e eu ainda não convenci ninguém a votar por mim.

Primeira tentativa:

No subnick do MSN -> O Lula é populista, o Alckmin neoliberalista, Heloísa comunista. O Cristóvam é o único sensato. (Eu até faço propaganda grátis!)


Agora mais direto e apelativo:

Vote no meu candidato, como se fosse o meu voto, por gentileza?

O caso é que eu não posso votar.
E queria alguém pra votar por mim no Cristóvam Buarque, do PDT, número 12.

Por quê?
Porque é a idéia que eu defendo e pretendo defender a minha vida toda. E quando ela aparece expressa por um candidato à presidência, eu não posso apoiá-la de fato, por um mísero e maldito ano.

É deprimente.

Então me propus a convencer ao menos uma criatura a votar nele.

Consegui não deixar que algumas pessoas desistissem de votar nele. Mas não era essa a proposta. Preciso de alguém que não fosse votar nele.

O cara tem dois por cento das intenções de voto. O que é realmente deprimente.

Bah...

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Eu...

Eu nasci em Teresópolis, a quatro de abril de 1991. Fazia frio, e caía uma garoa insistente. Não sei se foi bem assim, mas se não foi, deveria ter sido.

Minha primeira noite de sono nesse mundo atordoante foi no colo de meu pai, também dormindo, naquelas camas estreitas de hospital.

Fui crescendo muito mimada e querida, como uma criança pequena com três irmãos mais velhos costuma ser.
Lembro de quando minha irmã ouvia Claudinho e Buchecha e eu ora estava do lado dela, ora estava do lado de meus irmãos, que nutriam ódio mortal por aquilo.
Lembro de traduzir para o resto da família o que meu irmão pequeno dizia.
E lembro até hoje da noite em que, logo depois deu saber ler, um de meus irmãos pegou um livro de RPG e começou a me ensinar a jogar aventura solo, de tanto eu pedir para jogar como "fantasminha" (café com leite) no grupo deles.
Lembro de sentar na biblioteca da casa de meus avós e ir tirando os livrinhos infantis para ler compulsivamente.

Em 2001 nos mudamos para uma outra pequena cidade.

Considero que junto com móveis e roupas mudei de conceitos e idéias.
A menina curiosa e metida ficou.
Aquela sagaz e deveras convicta deu lugar a uma outra, a uma insegura e contraditória. Deu lugar a essa garota que, apesar de por vezes se ver execrável, no fundo se acha ainda melhor que os outros, e se sente ainda pior por isso.

Deu lugar a uma menina que esses dias percebeu que viveu muito pouco.

Percebeu que, por mais coisas que consiga se lembrar, por mais conceitos que consiga reunir, por mais coisas que consiga fazer ou livros que consiga ler, essa menina percebeu que viveu muito pouco.

E ficou atordoada.
Andando pela casa, em passo rápido, procurando um contra-argumento convincente (não houve!) ou apenas tentando fazer o tempo passar mais rápido.

Ela pensava ser a vida algo simples (por que não?) mas de repente achou que precisava viver mais. Achou que vivera muito pouco para achar qualquer coisa.

Aí a pobre deitou e ficou pensando no que seria num futro talvez inexistente.
Então dormiu.