domingo, 3 de junho de 2007

Mais simples

A gente acha que deveria saber o que deve fazer.
A gente acha que deveria saber como fazer.
E a gente acha que deveria saber o que vai acontecer agora.

A gente faz planos e a gente aposta neles, e se apóia neles.

A gente tenta ser coerente.
A gente tenta ter controle sobre nossa vida. Tenta sempre.

A gente pensa nas conseqüências.

A gente tenta resolver os problemas.
A gente se esforça pra resolver os problemas.

A gente quer estar feliz.
A gente sempre quer estar feliz...
(Mas a gente nunca sorri.)


Tudo parece um despropósito tão grande. E a gente continua se preocupando, e se preocupando, e se preocupando, e os despropósitos aumentam, e a gente nunca os entende ou descomplica, mas nunca se conforma com isso, também...


Porque a gente não pode simplesmente... viver?

quinta-feira, 22 de março de 2007

Testezinho interessante

(E feliz... Hahahahaha)

Um amigo me passou um daqueles testes de personalidade.
Só que um baseado em Jung. Como estimo o amigo e o teste era rápido de fazer, eu fiz. E deu um resultado engraçado, curioso.
Elevou meu ego, como todo teste de estereótipos que se preze. Ou mesmo que não se preze... Hahahaha...
Bom, elevou meu ego tirando a parte que diz que não presto atenção aos sentimentos das pessoas, e que sou tão avoada que não presto atenção a tarefas rotineiras, como pagar contas ou me "vestir apropriadamente". Mas é curioso mesmo assim (não que seja verdade, não é isso... Hahahaha).

Aqui está o teste, se quiser fazer. Depois me diga o que deu, é claro. Hahahaha.

O meu resultado é esse, mas isso tá aqui só pra eu poder fazer depois de um tempo e comparar. Meus documentos, word ou bloco de notas estão obsoletos, o negócio agora é guardar coisas inúteis no seu blog. Hahahaha...

quarta-feira, 14 de março de 2007

Sobre os pequenos pedaços de vida. E de morte.

Às vezes dá vontade de gravar a vida. Pra poder assistir de novo, um dia.
Quando era criança pensava que poderia muito bem ser assim, quando morrêssemos.
Mas como não temos a garantia de que a vida será gravada, quardamos pequenos retalhos.
Um diário. Uma foto, um álbum cheio delas, várias cartas, antigos cadernos, lembranças de amigos, de lugares, de instantes, de pensamentos, de modos de ver o mundo... Lembranças de você mesmo, do que você era e do que o mundo era, numa, talvez, tentativa de imaginar como poderá ser, depois.
Menos poética e mais recentemente, um blog. O histórico do MSN ou, simplesmente, os recados do Orkut.
Eles estão lá, ordenados por data, marcando dia por dia, recado por recado, pessoa por pessoa, amigo por amigo, desconhecido por desconhecido, desconhecido que virou amigo, amigo que hoje é desconhecido, desconhecido que passou, amigo que mudou de cara... Mas você não sabe disso, não lembra.
Até que o "um dia" em que você ia assistir à vida de novo, ou o que acha que foi a vida, mas que não são mais que aqueles fragmentos que conseguiu prender, resolve chegar. Sem nenhum motivo especial... Você só ia limpar a gaveta, o armário, rearrumar o quarto, achou a tal pilha de papéis, o tal álbum de fotografia, a caixa de lembranças, estava à toa pela internet, resolveu reler os escritos do blog.
Mas é tão estranho rever isso tudo...
É tão estranho, aquela vida, aqueles retalhos de vida, de conversa, eles... Eles parecem pouco vivos. Digo, eles estão mortos! Mas parece que não foram vividos, não como deveriam... Parece que cada conversa, debate ou discussão, poderia ter sido tão mais longo, divertido e proveitoso...
Foram-se uns tempos, vieram outros.
Adorável virem outros, o que parece que é nunca aproveitamos os "uns" que foram, direito.
Acho que o pequeno pedaço de vida eterna poderia muito bem ser assim quando morrermos.
"Que raiva, por que não gravamos tudo?" Pensaremos, a princípio.
E então começaremos a rever o filme de nossa vida. Mas mais rápido, rápido o suficiente pra não pensarmos que estamos revivendo, além de não lembrarmos da monotonia da pobre. Pensaremos é que vivemos mal e pouco tudo isso.
Seria um belo martírio...
No fim, como Deus é bonzinho, antes dos créditos, passariam uns poemas de Álvaro de Campos, pra acabar com o saudosismo. Depois lemos algumas das belíssimas frases de Brás Cubas, damos umas risadas sarcásticas e dormimos um sono merecido.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Mais música clássica

"Há música para os mais variados tipos de doença: Mozart. Beethoven. Schumann. Chopin. Brahms, Ravel. Os médicos deveriam receitar aos seus pacientes, junto com os remédios bioquímicos, a música...

Bom seria se a música clássica se ouvisse nos consultórios médicos, nas escolas, nas fábricas, nos escritórios, nas rádios. Há cidades que têm essa felicidade: rádios FM que tocam música clássica o dia inteiro. Infelizmente não é o caso de Campinas. Mas poderia ser... A música clássica desperta, nas pessoas, aquilo que elas têm de melhor e de mais bonito. Música clássica contribui para a cidadania." Rubem Alves


"Uma saudade indefinível de um lugar encantado em que você nunca esteve", é uma das coisas que Rubem Alves diz que a Música Clássica suscita nele.


E eu aqui pensando: "Diabos, eu conheço tão pouco!"
Preciso começar logo minhas incursões por esse mundo nostálgico, mágico, surreal.
Coisas assim são imperdíveis.

E estou cada vez mais fã de Rubem Alves.

Ah, e esse texto eu achei ao procurar alguma dica de alguma música clássica ideal pra bebês, recém-nascidos. Não sei, algo calmo, leve. Estou ouvindo Mozart, Ravel e Tchaikovsky, pra ver se acho o que quero.
Conheci hoje um pequenino, já muito querido, que quero presentear.
Tomara que ele não fique tão relapso quanto a Maria, quando crescer.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Tentativas de cantarolar saltitando...

...Me renderam dores nas pernas e a triste constatação de que eu não sei cantarolar. Principalmente Mozart ou o Bolero de Ravel em "parararans".

Mas são legais mesmo assim.

Haha.

Incrível...

Voltando à rotina.
Teatro;
Trabalho;
Escola...
Aulas de biologia. As terríveis aulas de biologia.

E discussão no final da aula porque a nobre professora defende "não a pena de morte, mas a execução. Afinal a pena de morte dá muitos custos pro estado, e demora muito."

Pleno século XXI e ninguém vê a incoerência da pena de morte (evolução lenta, essa da nossa racinha, hein?).
Pior, só mesmo ela dizendo que "sob alguns aspectos, a ditadura era muito melhor, mesmo" e que "os jovens estão muito folgados, matando alguns eles ficarão com medo, e só assim terão disciplina".

Putz...

Ahm, não, melhor nem comentar, já usei de todos argumentos que podia.

Só sei que é incrível, é realmente incrível.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Pequena bizarrice

"Na dúvida, fique parado."

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Ao pé da árvore

Ia escrever.

Mas não sabia. Estava receosa. Não escrevia há tanto tempo.

Escrever era bom, pelo que ela podia lembrar. Aliviava. Era estranho. Mas era bom.

O problema é que ela gostava tanto, que não escrevia.

Ela gostava. Adorava escrever. E escrever algo ruim, pensava, não valia a pena. Pra quê desperdiçar palavras e construções – idéias não, suas idéias ela não prezava tanto – à toa, palavras que poderiam servir pra descrever idéias tão mais relevantes... E ela usaria assim, indiscriminadamente, só por falta do que fazer?

Não, não era muito justo.

Escrever por falta do que fazer! Não podia...

E... Simplesmente sair escrevendo, era assim que ela gostava.

Sem mistérios, sem pompas, sem problemas, sem implicações nem implicâncias. As palavras apareciam, ela escrevia, lia, gostava. Ou não. E mudava, mexia em uma coisinha ou outra. E pronto.

E pronto, mesmo.

Sem finais esplêndidos, ou morais no final da história. Sem idéias grandiosas, sem mensagens, sem mistérios, sem nada demais, nem nada que alguém comum não pudesse fazer.

Não, ela não queria ser alguém comum. Mas, poxa, que havia de errado com isso? E se fosse? Não queria, mas isso não é coisa que se escolhe. Ela era e pronto.

Por que não escrever?

Escrever era algo tão singelo, pra ela.

Tão interessante, tão delicado.

Tanto, que, desperdiçar escrita pra transmitir meias idéias simplesmente não valia a pena. Nem a tinta, nem o papel.

“Mas é tudo reutilizável, a gente recicla!”

Escrever pra não dizer nada. É mesmo válido?

“Válido é se sentir bem”, dizia uma voz afável ao longe.

Ela pegou o papel. Riscou. Um, dois, três versos. Sorriu e depois dormiu, ao pé da árvore.

domingo, 24 de dezembro de 2006

Sem texto, mas com vídeo...

Na falta de criatividade, vai algo pronto.





É o primeiro curta do Tim Burton.
E, não sei por que, mas o garoto me lembra o Calvin. Hahahahaha...

domingo, 12 de novembro de 2006

Outro "about me"

A Maria muda de personalidade (sutil ou bruscamente) dependendo, dentre outros pormenores:
De estar sozinha ou acompanhada - neste caso, dependendo também da companhia;
Do desencadear dos fatos anteriores ao analisado;
Das coisas que ela está fazendo ou nas quais está pensando.
Do assunto da conversa, quando há.
Da música ou do silêncio que ela está ouvindo.
Do lugar em que ela se encontra;
Do tanto que ela está com sono.

Devido ao alto e complexo número de variáveis, ela ainda não calculou (nem pretende calcular) exatamente quem é.
E muito menos calcular a impressão que você terá dela, já que isso tem um número de variáveis zilhões de vezes maior, além delas serem mais complexas.

A única coisa que ela faz é lhe desejar boa sorte.



PS: Bem, me explicando de novo, eu posto os "about me"s aqui para ficarem guardados. Se salvasse no Word eu, mais cedo ou mais tarde, os apagaria. A princípio não há nenhuma intenção de reutilizar essas descrições. A intenção mesmo de guardar é só a de poder reler e, quando o estiver fazendo, achar graça de meus textos um tanto medíocres e pretensiosos, daqui algum tempo. O que, aliás, é o propósito de todo este blog. Achei que os intentos convergiam, e que não há problema em salvar aqui os "about me"s.

domingo, 5 de novembro de 2006

Só pra constar...

Não, não vai dar tudo certo.




Não vai dar tudo certo, mesmo. Essa é a lição de hoje. "Sob hipótese alguma tal coisa dará certo, seja qual for a coisa", quanto mais se ela for 'tudo' .
E se, por um inestimável acaso feliz, der certo, pelo menos você pode ficar alegre e contar como um ponto pra você, no lugar de se lamentar por ter passado um tempão acreditando que as coisas dariam certo, sem no final isso acontecer.
Só não fique muito alegre, porque depois disso tem os outros pontos em que as coisas não vão dar certo.
E, se aquele resquício da mais medíocre esperança ainda te deixa em dúvida, digo que o maior indício de que não dará certo é que terminamos mortos.
Sim, lá, no "grand finale", onde todo mundo, mesmo o mais cético, acredita que vai dar certo, que tem que dar certo, estamos já a sete palmos.
E aí, de que adianta?

sábado, 21 de outubro de 2006

Recebi por e-mail

Esse, abaixo, é um texto que recebi por e-mail.
Não é nenhum supra-sumo, mas eu achei interessante, e pensei ser mais fácil colá-lo aqui do que escrever outro sobre o mesmo assunto.
Tudo bem que você pode já o ter recebido. Mas aí também seria perda de tempo ler um texto inédito (quanto mais meu) sobre isso.
E, sim, o propósito do autor é levantar a auto-estima do brasileiro. (Coisa que era muito usada na ditadura, diga-se de passagem. Mas o texto foi feito em 2001, não é propaganda pro senhor presidente populista. Nem me parece para o senhor ex-presidente intelectualóide.)
Aliás, Luiz Marins, o autor do texto, é um antropólogo que trabalha, aparentemente, motivando levantando a moral das pessoas. Meio mané, sim, mas...
Talvez estejamos mesmo precisados de ânimo e um pouco de motivação.
Fica aí, para quem topar.


"NEM PARECE O BRASIL..." (Artigo publicado em 2001)

Luiz Marins

Ao comemorarmos, neste setembro a "Semana da Pátria", o que leremos na maioria dos jornais? O que assistiremos na televisão? O que ouviremos nas rádios?
Aposto 1.000 contra 10 que a maior parte dos comentários serão do tipo: "O Brasil, pior do que nunca, comemora sua independência, totalmente dependente do FMI"; "Brasil: 45 milhões de miseráveis não têm nada a comemorar na Semana da Pátria"; "Brasil comemora sua independência com corrupção, violência, desemprego, greves...".
Com certeza ninguém vai dizer que somos o único país do hemisfério sul dentro do projeto Genoma e que nossos cientistas estão entre os mais respeitados do mundo. Ninguém vai dizer que o Brasil é o país que tem tido o maior sucesso dentre todos os países no combate à AIDS e vem sendo exemplo mundial. Ninguém vai dizer que temos 15 fábricas de veículos instaladas, mais quatro se instalando e que somos uns dos maiores mercados do mundo contemporâneo e que, apesar da crise argentina, as empresas continuam com suas intenções firmes de investimento.
Ou seja, ninguém mostrará a parte cheia do cálice chamado Brasil. Vamos só mostrar a parte vazia. Vamos novamente nos auto-flagelar, falar mal de nós próprios. Vamos nos chamar a todos de corruptos, ladrões, aproveitadores e preguiçosos. Por que somos assim?
A manchete de um dos maiores jornais do Brasil, ao noticiar o menor índice de desemprego desde 1997 assim escreveu: "Desalento e Descrença faz índice de desemprego baixar" (sic) e no corpo da matéria afirma que as pessoas estão tão desalentadas, desencantadas e desanimadas que "desistiram de buscar emprego...". Será esse também o motivo para os espanhóis de Madri que têm 21% de desemprego? Ora, se isso é verdade, o oposto também deveria ser. Ou seja, quando o desemprego aumenta é porque as pessoas estão "animadas e esperançosas" e acreditando no Brasil?
Todos os países comemoram suas datas nacionais valorizando os aspectos positivos da nação, do povo, das pessoas. Por que não nos comparamos com a violência do oriente médio? Com os atentados na Irlanda? Com os atentados na Espanha? Com o massacre da Macedônia e dos Albaneses? Com o que está acontecendo desde o Afeganistão ou nos países africanos? Por que não dizemos que temos 97,3% das crianças de 7 a 14 anos freqüentando escolas e só falamos do "baixo nível da educação brasileira"?
Por que não propalamos que o Brasil tem 40% dos internautas da América Latina – o dobro do México e que somos o quinto país do mundo em número de telefones fixos instalados e o segundo maior mercado de telefones celulares? Por que não falamos que temos o mais moderno sistema bancário do mundo? Que nossas eleições – limpas e honestas, tiveram mais de 100 milhões de votos apurados em 24 horas? (Compare com o "fiasco" da eleição americana...). Por que não falamos que de meros exportadores de tecidos, somos hoje considerados uma das capitais mundiais da moda, segundo o Le Monde francês? Por que não propalamos que somos o país em desenvolvimento com o maior número de empresas com certificação de qualidade pela ISO 9000 com 6.890 empresas certificadas enquanto o México tem apenas 300 empresas e a Argentina 265? Que somos o segundo maior mercado de biscoitos, jatos executivos e helicópteros, chocolate, que nosso mercado editorial de livros é maior do que a Itália, com mais de 50.000 títulos novos por ano? Que nossas agências de publicidade ganham os melhores e maiores prêmios do mundo? Que somos o país mais "empreendedor" do mundo com 16% da população economicamente ativa, na frente dos Estados Unidos? Que a cidade do Rio de Janeiro foi considerada em pesquisa em mais de 50 cidades do mundo a mais "solidária" do mundo? Que mais de 70% dos brasileiros – pobres e ricos – dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários? Que 54% das empresas brasileiras participam de projetos comunitários? Que nosso setor agrícola e pecuário vem se desenvolvendo com produtividades crescentes e moderna tecnologia, dobrando a produtividade agrícola com a mesma área agricultável?
Por que não dizemos que somos hoje a terceira maior democracia do mundo? Que apesar de todas as mazelas o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países "civilizados"? Quantos países têm a imprensa livre e investigativa que temos? Segundo a The Economist, (30-6-2001) de zero a dez, o índice de corrupção no Brasil é seis. Isso foi amplamente divulgado. Mas poucos disseram que somos considerados menos corruptos do que o México, Argentina, China, Tailândia, Filipinas, Índia, Rússia, Indonésia e muitos outros países em desenvolvimento, e à nossa frente quase todos os países são os desenvolvidos europeus, poucos asiáticos e os EUA. Qual o país que já fez o "impeachment" de um presidente e tirou vários senadores da república de seus postos? Que a população indígena brasileira vem crescendo e com terras demarcadas para sua sobrevivência cultural? Qual foi o instituto demográfico que contou em 1.500 os cinco milhões de índios que a imprensa diz que matamos desde o descobrimento do Brasil?
Este verdadeiro "vício" de se auto-flagelar, de só falar mal de si próprio, faz o brasileiro ficar literalmente cego para valores essenciais de nossa cultura, de nosso povo, da nação brasileira. Reduzimos tudo a "governo" e como não se pode falar bem de nenhum governo (seja federal, estadual ou municipal) que se é logo rotulado de "bajulador" e "alienado" ficamos com essa sensação horrível de que somos o povo mais infeliz do universo. Pode ver: quando uma coisa é bem feita, é bonita, é limpa, dizemos – "Nem parece o Brasil!" e quando uma coisa é horrível, de baixa qualidade, suja, desonesta, dizemos: "Isto é o Brasil!". Até quando???
Até quando seremos patrulhados como foram Gilberto Freire e Sérgio Buarque de Holanda – para não citar outros mais – quando falamos bem do Brasil e do homem brasileiro mostrando seus aspectos de tolerância, de cordialidade?
É claro que temos problemas – e muitos. E graves! Deles não preciso falar. Basta abrir os jornais, assistir os telejornais e ler nossas revistas.
Mas temos também valores que precisamos aprender a enxergar e a comemorar. O Brasil precisa dar-se o direito de ser feliz. Comemore a parte cheia do cálice chamado Brasil. Acredite. Você pode se orgulhar de ser brasileiro! Você tem esse direito"

sábado, 14 de outubro de 2006

Questões

Faz 20 anos que explodiu o reator número 4 da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia.
Incompetência, erro de projeto, erro de operação, deslize, bizonhice... O que diabos foi aquilo?

EUA confirmam radioatividade na Coréia do Norte.
Hum, tá, bacana. Mas, afinal, o que os EUA têm a ver com a radioatividade da Coréia do Norte?

Os EUA já fizeram, aproximadamente, 1050 testes. E não ratificaram o Tratado de Interdição Completa de Ensaios Nucleares, por quê?

Os cinco membros permanentes da ONU são os cinco países a primeiro reconhecerem arma nuclear e que mais exportam armamentos. Só que... A ONU não era uma instituição de fins pacíficos?

Por que Índia e Paquistão, que já fizeram testes nucleares, não são signatários do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares?

Por que a África do Sul assinou?

Por que a ONU fica nos Estados Unidos?

Por que existem cabeças ambiciosas incrivelmente pequenas que ainda acreditam que o poder de uma nação vale alguma coisa?

Por que alguns seres ainda acreditam que o respeito imposto vale a humilhação da outra pessoa?

Em suma...

Por que eu ainda tento acreditar no ser humano?

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Calçada da Fome



Isso é do Cactos Intactos.
Eu recebia e-mails com filmes, críticas e comentários deles há um tempo. E, confesso, achava legal mas nunca tinha apostado muito. Dessa vez eu vi o filme e fiquei surpresa. É bom mesmo!

Eu sempre quis conversar a fundo com mendigos, assim, exatamente como Hfroid faz no vídeo. Tenho vontade de saber o que eles pensam, o que os deixam indignados, o que os deixam felizes...

Na verdade eu queria saber isso de qualquer qualquer pessoa comum. Incomodar com perguntas que exigem uma posição. É que as pessoas que conversam sobre roupas e novelas o dia todo desviam o assunto.

Talvez os mendigos respondam (e me parecem extremamente sinceros) porque nunca são ouvidos. Talvez eles estivessem dispostos a falar sobre qualquer coisa. Talvez eles queiram que alguém saiba o que eles pensam. É normal. Quando se pensa.

Sabe, eu tinha mesmo vontade de conversar com eles.
Mas, por um motivo ou outro, que não sei identificar, mas do qual me envergonho de qualquer forma, eu tenho medo de falar com eles. Um receio que ainda será superado, mas ainda receio.

Talvez o medo seja aquele que todos que têm casa e comida aprenderam a ter, um medo instintivo, por convenção social.
Mas talvez seja o medo de ver o quanto sou egoísta, injusta, hipócrita ou qualquer coisa do tipo.
O quanto eu sou, o quanto você é, o quanto somos todos, ao deixá-los à margem da sociedade, assim.
São pessoas como outras quaisquer. Ou não, podem ser pessoas pensantes. Mas aí é um motivo a menos para excluí-los.


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sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Eleições

Muito bem... Cá estamos nós, a algumas horas das eleições e eu ainda não convenci ninguém a votar por mim.

Primeira tentativa:

No subnick do MSN -> O Lula é populista, o Alckmin neoliberalista, Heloísa comunista. O Cristóvam é o único sensato. (Eu até faço propaganda grátis!)


Agora mais direto e apelativo:

Vote no meu candidato, como se fosse o meu voto, por gentileza?

O caso é que eu não posso votar.
E queria alguém pra votar por mim no Cristóvam Buarque, do PDT, número 12.

Por quê?
Porque é a idéia que eu defendo e pretendo defender a minha vida toda. E quando ela aparece expressa por um candidato à presidência, eu não posso apoiá-la de fato, por um mísero e maldito ano.

É deprimente.

Então me propus a convencer ao menos uma criatura a votar nele.

Consegui não deixar que algumas pessoas desistissem de votar nele. Mas não era essa a proposta. Preciso de alguém que não fosse votar nele.

O cara tem dois por cento das intenções de voto. O que é realmente deprimente.

Bah...

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Eu...

Eu nasci em Teresópolis, a quatro de abril de 1991. Fazia frio, e caía uma garoa insistente. Não sei se foi bem assim, mas se não foi, deveria ter sido.

Minha primeira noite de sono nesse mundo atordoante foi no colo de meu pai, também dormindo, naquelas camas estreitas de hospital.

Fui crescendo muito mimada e querida, como uma criança pequena com três irmãos mais velhos costuma ser.
Lembro de quando minha irmã ouvia Claudinho e Buchecha e eu ora estava do lado dela, ora estava do lado de meus irmãos, que nutriam ódio mortal por aquilo.
Lembro de traduzir para o resto da família o que meu irmão pequeno dizia.
E lembro até hoje da noite em que, logo depois deu saber ler, um de meus irmãos pegou um livro de RPG e começou a me ensinar a jogar aventura solo, de tanto eu pedir para jogar como "fantasminha" (café com leite) no grupo deles.
Lembro de sentar na biblioteca da casa de meus avós e ir tirando os livrinhos infantis para ler compulsivamente.

Em 2001 nos mudamos para uma outra pequena cidade.

Considero que junto com móveis e roupas mudei de conceitos e idéias.
A menina curiosa e metida ficou.
Aquela sagaz e deveras convicta deu lugar a uma outra, a uma insegura e contraditória. Deu lugar a essa garota que, apesar de por vezes se ver execrável, no fundo se acha ainda melhor que os outros, e se sente ainda pior por isso.

Deu lugar a uma menina que esses dias percebeu que viveu muito pouco.

Percebeu que, por mais coisas que consiga se lembrar, por mais conceitos que consiga reunir, por mais coisas que consiga fazer ou livros que consiga ler, essa menina percebeu que viveu muito pouco.

E ficou atordoada.
Andando pela casa, em passo rápido, procurando um contra-argumento convincente (não houve!) ou apenas tentando fazer o tempo passar mais rápido.

Ela pensava ser a vida algo simples (por que não?) mas de repente achou que precisava viver mais. Achou que vivera muito pouco para achar qualquer coisa.

Aí a pobre deitou e ficou pensando no que seria num futro talvez inexistente.
Então dormiu.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

"A ditadura do outro"

Por Maria Bertoche e Rodrigo Kháos, com contribuições do acaso e da melancolia, e uma saudação a Brás Cubas, pelo menos por minha parte. Isso é um trecho sem edições de uma conversa à distância.

...

Maria diz:

Mas não sobrou aí amor-próprio? Algo que grite: "Rodrigo, você é aproveitável! Rodrigo, você é bom!"?

Rodrigo Kháos diz:

No fundo eu acho que sim, mas o grito estaria mais próximo de: "Rodrigo, você é bom, mas não passa de um tolo".

Maria diz:

Hahahahaha

Maria diz:

O meu seria algo como: "Maria, você não passa de uma tola, mas ainda é útil" com um sussurro de "eu acho" ao final

Rodrigo Kháos diz:

Hahahahaha, e poderíamos completar com aquele gesto das mãos espalmadas, algo querendo dizer: "sei lá!"

Maria diz:

E o que fazer, Rodrigo, o que fazer?

Rodrigo Kháos diz:

A pergunta que nunca descansa é justamente essa: é como se uma esfinge se levantasse todo dia diante de um Édipo medroso (nós) e ameaçasse: "Decifra-me ou te devoro!"

Maria diz:

Não podemos viver ignorando isso

Maria diz:

Como declarar que sabemos? Pra quem?

Rodrigo Kháos diz:

Tentamos saber através dos outros quem somos, o quanto somos aceitáveis, "apreciiáveis", úteis, O Outro é quem parece validar a nossa existência, isso não te parece terrível?

Maria diz:

Isso é terrivel

Maria diz:

terrível

Maria diz:

Incrivelmente terrível

Rodrigo Kháos diz:

Eu chamo isso de "A Ditadura do Outro"

Maria diz:

Rodrigo, eu não quero!

Maria diz:

Eu quero apreciar os outros, não depender da apreciação deles... Não há essa opção???

Rodrigo Kháos diz:

Até que há, mas esse "apreciar os outros" nunca deixa de ser "interferir", por pouco que seja. Apreciar é moeda de troca, Maria. Mas, o que não me entra na cabeça, apreciar já não dá pista de uma dependência profunda?

Rodrigo Kháos diz:

"Ver para ser visto"

Maria diz:

O problema não é apreciar, definitivamente. É esperar reciprocidade

Rodrigo Kháos diz:

É!

Maria diz:

Se pudesse separar isso, ah, se pudesse!

Rodrigo Kháos diz:

No final das contas, tudo é troca e, se nada recebemos de volta, frequentemente nos sentimos lesados, até mesmo roubados descaradamente daquela "apreciação oferecida"

Maria diz:

Eu sei, eu sei..

Maria diz:

Mas queria não esperar isso

Maria diz:

Não considerar "apreciar o outro" como um favor...

Rodrigo Kháos diz:

Favor, talvez não seja bem isso. Apreciar como uma das muitas formas de depender...

Rodrigo Kháos diz:

Tem um trecho da Clarice ("Olhar é o necessário instrumento que, depois de usado, jogarei fora")

Rodrigo Kháos diz:

Hmmm... jogar fora porque já temos a (errônea) certeza de que o resultado, a reciprocidade, virá como 2 + 2

Maria diz:

Isso é tão deprimente

Rodrigo Kháos diz:

Sim, a reciprocidade pode vir, mas às vezes naquela superfície do "é, sei, entendi", que vc quis dizer antes

Rodrigo Kháos diz:

E isso é tão doloroso!

Rodrigo Kháos diz:

É assim com a grande maioria

Maria diz:

Sinto não poder acrescentar mais nada de novo

Maria diz:

Mas seria bom se pudéssemos ao menos retribuir a atenção que nos dão.

...

Meus cumprimentos, e um sorriso,
Maria.

...
PS1
Coloco especialmente esse trecho aqui porque além de eu estar sem nada escrever há um tempo, isso me foi uma divagação valiosa. Sem deixar de lado minhas outras nobres companhias MSNicas, é claro. Muitas outras conversas mereceram apreciação pública, também. O caso é que só me ocorreu que essa idéia fosse boa hoje, e, unida a uma boa oportunidade, ela está aí, já em prática.

PS2 Grata, Rodrigo, foi um prazer encontrar-te de novo.

PS3 Comigo está tudo bem. Uma esperança feliz e um projeto pra colocar em prática.Quando ele sair do campo das idéias o transcrevo.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Recortes de uma vidinha (quase) monótona

Ando muito distraída, preocupada, tensa, ou qualquer coisa parecida.

A solução vai ser passar um tempo mais reclusa, imagino. Não por revolta, nem nada impetuoso. Só porque tenho que reservar um tempo pra ler, ouvir música, escrever cartas, monologar com meus personagens, que talvez sejam a principal causa de minha irritação - não estamos nos entendendo direito, preciso dar mais atenção a eles.
Além do mais tenho que colocar as idéias em dia, me conformar com algumas coisas, esquematizar soluções pra outras e bolar alguma idéia mirabolante ou um plano infalível pra acabar com a Mônica... Ou pra conquistar o mundo, também serve.

Das duas uma: ou esfriarei novamente minha participação aqui, ou ela se intensificará. Aliás, assim com a Internet em geral.

Fiz um bolo, que por íncrivel que pareça, está com uma cara agradável.
Vou à biblioteca amanhã. Ia à do Sesc, mas a municipal deve servir, por enquanto. Faz tempo que não vou lá, até. Muito tempo.


Vejamos... Ainda esse mês sai a lista de aprovados no concurso de redação pra Iniciação Científica Júnior. Os desinfelizes certamente imaginaram que seria muito pesado pro orçamento do estado e ainda diminuíram 20% do valor da bolsa. Agora é 80 reais. Mas, tá valendo, tá valendo.

Só hoje vi que preciso de R$ 34,80, fora os gastos com necessidades antigas. Alguém quiser me doar, sem problemas. Daí vinte são pra um CD com o Dreamweaver e o Photoshop (aliás, podendo sugerir outra opção pra adquirir esses programas, fico grata), e catorze e ointenta pra aquisição de duas revistas, "Filosofia" e "Discutindo Filosofia", mais urgência pra primeira. Mesma coisa neste caso: se alguém quiser comprar, procurar o conteúdo na internet, escanear, xerocar ou mesmo copiar com garranchos horríveis e me dar, eu deixo. =)

No mais, cansada dessa vidinha (quase) monótona - e de ler sobre o ciclo de Calvin pra prova de Biologia amanhã. Preciso mesmo das revistas. (O CD fica pra depois, oras)

Por último, explico o porquê desse post-diarinho (mas só porque estou muito benevolente, hoje). O caso é que sempre me desoriento em meus propósitos. Dessa vez ficam salvos, e, qualquer problema nas resoluções(amnésia!?), volto aqui e aprumo a situação, aproveitando que já sintetizei as soluções, coisa que é bem rara, por ser complicada.

Sem mais,

Maria.

domingo, 6 de agosto de 2006

Saudade de viajar

Saudade de viajar.
Viajar de carro, à noite.
Saudade de Teresópolis.
Da noite da estrada. Do vazio, das luzezinhas vermelhas que ficavam por um tempo na frente do carro, das brancas que ofuscavam a vista, mesmo estando a uma distância considerável.
Saudade da calmaria da noite.
Saudade de ver o mato na beira da estrada, balançando como se pedisse pra ir com os carros que passavam. Saudade de ver as nuvens prateadas pelo brilho da Lua. E de ver as estrelas borrifando aquele céu escuro com brilhos suaves e audaciosos, bonitos mesmo.
Saudade do vento agradável, do frio agudo e do cheiro extasiante de noite que entravam no carro quando meu pai abria a janela.
De quando parávamos no pedágio e todo mundo acordava com as luzes fortes. E da perspectiva de chegar. Das apostas do horário em que chegaríamos.
Saudade de ver o sol nascer. Das plantações de cana, abacaxi e laranja que têm ao longo da estrada. Dos arco-íris que gostavam de aparecer quando estavam todos quietos. De ficar com medo sempre que íamos descer a Serra das Araras.
Saudade das músicas que escolhemos juntos. De ficar com um ombro doendo por estar apoiando a cabeça de um irmão sonolento. E de dormir no ombro deles, também.

Saudade de viajar, mesmo.

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

"Eu diria mais, eu diria: olá! olá!"

“Por que publicar o que não presta? Porque o que presta também não presta. Além
do mais, o que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um
modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um
pequeno vôo e cai sem graça no chão”.

Clarice Lispector

Bem, já que até a Clarice dizia que gostava de seus textos que "não prestam"...

O caso é que voltarei a escrever, e sem ficar deprimida. Já planejei isso outras vezes, mas a diferença é que dessa eu vou conseguir, mesmo, de verdade. Ninguém precisa, nem nunca precisou, ler minhas divagações. Elas ficarão aqui, guardadas. Esse não é o fim, ainda.

Bem, a idéia e aprimorar minha escrita. O ponto principal é ser mais clara. Sem economizar palavras nem usá-las de enfeite. A tentativa agora é ser objetiva sem necessariamente acabar com a graça da confusão.

Lembrei-me de um artigo de um técnico da computação, falando do KISS. "Keep it simple, stupid"!

Falando nisso, acho que não vou conseguir sobreviver mais aqui daqui uns cinco anos. Eu já sou uma das poucas pessoas que não sabe absolutamente nada de HTML. Aliás, nem de Inglês eu tenho noção. Isso é comprometedor. E me assusta.